A Origem Da Bruxaria

***SOCIEDADE MATRIFOCAL***
"Falar em origem da Bruxaria é o mesmo que retornar ao inicio da humanidade, quando os seres humanos começaram a despertar a sua percepção para os mistérios da vida e da natureza.
Como afirmam a maioria dos antropólogos, o ser humano habita este planeta há mais de 2 milhões de anos. Mais de 3 quartos deste tempo a nossa espécie passou nas culturas de coleta e caça aos pequenos animais. Nessas sociedades não havia necessidade de força física para sobreviver, e nelas as mulheres possuíam um lugar central.
As mais antigas obras de arte que representam figuras humanas são de mulheres,mães. Datando de 35.000 a 10.000 anos antes da era cristã, e descobertas pôr toda a Europa e na África, essas estatuetas de "Vênus",chamadas assim pêlos arqueólogos, mostram a plenitude de formas da maternidade e a maturidade da natureza feminina.
Desde os tempos neolíticos, a prática da Bruxaria sempre girou em torno de rituais simbólicos que estimulam a imaginação e alteram a consciência. A primeira demonstração de arte devocional foram as Madonas Negras, encontradas em cavernas do período Neolítico, então as deusas da fertilidade foram os primeiros objetos de adoração dos povos primitivos. Assim, rituais de caça, experiências visionárias e cerimônias de cura sempre tiveram lugar no fértil contexto dos símbolos e metáforas de cada cultura. Vale a pena ressaltar que nos vários sítios paleolíticos associados a imagem da Deusa foram encontrados entre eles, Laussel, Angles-sur, Cogul, La Magdaleine e Malta, só para citar alguns.
No período neolítico, Catal Hüyük é um dos primeiros e mais claramente sítios matriarcais (cerca de 6.500 - 5.700 a.C) escavados. Os vários santuários decorados com figuras da deusa-mãe e seu filho-amante não fornecem dados que apontem para o sacrifício humano ou animal, não há altares, fossas para sangue e depósitos secretos para os ossos. Nem tampouco os templos da Deusa em Marta e na Sardenha, as galerias escavadas e os círculos de pedras dos construtores megalíticos ou os sítios de Creta, apresentam qualquer evidência de que seres humanos foram em qualquer época, ritualmente assassinados. Onde o sacrifício humano é visto claramente - por exemplo, nos túmulos sagrados da cidade suméria de Ur, onde cortejos inteiros acompanhavam o rei para a morte - ele está associado a cultura já vinculada ao patriarcado.
Nas cavernas também foram encontradas milhares de desenhos, dentre estes desenhos muitos mostram os homens caçando, e as sua presas já mortas. Com isto supomos que uma certa magia também ali já era aplicada, com a intenção de aprisionar nas paredes das cavernas a alma do animal a ser caçado, fazendo com isto que a caça fosse mais fácil.
Assim, inúmeras provas arqueológicas, históricas e antropológicas, estátuas de deusas, costumes funerários, pinturas rupestres de mulheres dando à luz, o recém nascido ainda ligado à mãe pelo cordão umbilical, tudo isto nos faz crer que os nossos ancestrais entenderam a íntima conexão entre o Poder Feminino e o Poder da Terra. Mais a frente, outros povos que dependiam da caça para sobreviver, originaram o culto ao Deus dos Animais e da fertilidade, também conhecido como Deus Cornífero. Os chifres sempre representaram a fertilidade, coragem e todos os atributos positivos da energia masculina, representando também a ligação com as energias cósmicas. A mulher era a fonte da vida, os ciclos decorrentes da mulher era a fonte da vida. O grande mito do eterno retorno era o mito repetidamente interpretado no ciclo vital de todas as mulheres, em cada gravidez que produzia uma nova vida humana, e na misteriosa hemorragia que ocorria com cada lua e parava quando o ventre retinha seu sangue e ficava cada vez mais cheio, como a lua crescente. Ao identificarem tão estreitamente a mulher com a Terra, e a Terra com poderes divinos, os nossos ancestrais consideraram razoável supor que o poder divino que presidia à criação era feminino. Assim a Velha Religião, com sua forte perspectiva matrifocal ou matricentral como queiram, era uma religião de êxtase, pôr isso nos parece que as experiências de êxtase religioso eram a norma para as culturas pré-cristãs. E assim devem ter sido em religiões que se centravam na experiência da mulher.
Há cerca de 100 séculos antes de Cristo, os povos se organizavam em sociedades centradas na figura da mulher, cujas características principais eram a ausência de fortificações militares e de armas, - as que existiam eram pequenas e usadas somente para defesa - a ausência de guerras organizadas e de estrutura política burocrática. Nessas sociedades, as famílias eram extensas, semelhantes a clãs, governadas pôr mães e não havia escravos. Os laços de sangue, linhagem, parentesco e direito de propriedade eram transmitidos através das mães.
Nos grupos matricêntricos, as formas de associação entre homens e mulheres não incluíam nem a transmissão do poder nem da herança, por isso a liberdade em termos sexuais era maior. Por outro lado como já dissemos, não existia guerra, pois não havia pressão populacional pela conquista de novos territórios.
Refletindo a sociedade, os sistemas religiosos primitivos também eram centrados na figura de Deusas-Mãe que simbolizavam a fertilidade do solo, dos animais e dos seres humanos. As divindades femininas presidiam ainda a variadas atividades comuns àquelas sociedades. Como exemplo, podemos citar a deusa Asherah, "Senhora da Marcenaria e da Carpintaria" da antiga mitologia da região de Canaã. Essas sociedades centradas na mulher eram pacíficas, tolerantes, sustentadoras da vida, baseadas na confiança, nelas, o comportamento violento e destrutivo era desencorajado. Foram as mulheres dessas sociedades que inventaram a agricultura, a cestaria, a cerâmica, a olaria, a metalurgia, as técnicas de processamento, armazenagem e preservação de víveres, eram ainda as guardiãs do fogo, as ervanárias e farmacologistas e as curandeiras oficiais e primeiras médicas. A atividade masculina se restringia à caça, cuja base é a imitação e observação silenciosas.
Provavelmente, foram as mulheres que criaram a linguagem, propiciando assim terreno para o desenvolvimento e aprimoramento da inteligência. Nesses grupos, a mulher era considerada um ser sagrado, porque podia dar a vida e, portanto, ajudar a fertilidade da terra e dos animais. Nesses grupos, o princípio masculino e o feminino governavam o mundo juntos. Havia divisão de trabalho entre os sexos, mas não havia desigualdade. A vida corria mansa e paradisíaca.
Os antropólogos também observaram que nesses tempos remotos, o papel masculino na concepção não era compreendido. Isso somente veio a acontecer em torno dos anos 5.000 a 3.000 antes da Era Cristã. Como a mulher não fica grávida em todo ato sexual, e só vem saber que está grávida depois de dias ou semanas, a conexão entre atividade sexual com machos e concepção não era óbvia. Por muitos séculos e séculos o homem, inocentemente, pensou que a mulher engravidasse dos deuses. Na verdade os homens se sentiam marginalizados nesse processo e invejavam as mulheres. Essa primitiva "inveja do útero", dos homens é a antepassada da moderna "inveja do pênis" que sentem as mulheres nas culturas patriarcais mais recentes.
Ao contrário da mulher, que possuía o "poder biológico", o homem foi desenvolvendo o "poder cultural" à medida que a tecnologia foi avançando. Enquanto as sociedades eram de coleta, as mulheres mantinham uma espécie de poder, mas diferente das culturas patriarcais. Essas culturas primitivas tinham de ser cooperativas, para poder sobreviver em condições hostis, e portanto não havia centralização, mas rodízio de lideranças, e as relações entre homens e mulheres eram mais fluidas do que nas futuras sociedades patriarcais.
Na sociedade de Creta as mulheres exerciam as mais diversas profissões, sendo desde sacerdotisas até chefes de navio. Platão conta que nesta sociedade, a última matrifocal de que se tem notícia, toda a vida era permeada por uma ardente fé na natureza, fonte de toda a criação e harmonia."

INFLUENCIA CELTA
Como você viu no texto anterior, presumimos que a Wicca tenha surgido no período Neolítico, em várias regiões da Europa, onde hoje se localiza a Irlanda, Inglaterra, País de Gales, Escócia, indo até o Sudoeste da Itália e a região da Britãnia na França.
Quando os Celtas invadiram a Europa,quase mil anos antes de Cristo, trouxeram suas próprias crenças, que ao se misturarem às crenças da população local, originaram o sistema que deu nascimento à Wicca. Na Antigüidade, a Irlanda foi ocupada pelos Celtas, vindos do continente, os quais sobrepujaram os habitantes pré-históricos, estabelecendo assim, ordem na ilha e impondo a religião e a língua. Em toda a Irlanda, os monolitos, os dólmas e as pedras esculpidas testemunham a existência da antiga religião druídica, sendo que o idioma gaélico permaneceu como língua nacional.
Com a rápida expansão do povo celta, a religião druídica foi levada para regiões onde se encontram Portugal, Espanha e Turquia. Embora a Wicca tenha se firmado entre os Celta, é importante lembrarmos que a Bruxaria é anterior a eles. Mas este povo foi o mantedor da tradição.
O Panteão Celta, isto é, o conjunto de Deuses e Deusas dessa cultura é hoje o mais utilizado nos rituais Wicca, embora possamos trabalhar com qualquer panteão, desde que conheçamos o simbolismo correto, e não misturemos os panteões num mesmo ritual.
A sociedade Celta era Matrifocal (o nome e os bens da família eram passadas de mãe para filha). Homens e mulheres tinham os mesmos direitos, sendo a mulher respeitada como Sacerdotisa, mãe, esposa e guerreira, participando das lutas ao lado dos homens.
Os Celtas foram um povo, cuja origem se situa na Europa Central, embora parte da mais numerosa saga de invasão indo-européia. Durante os 600 anos seguintes, os celtas chegaram a Portugal, Espanha, França, Suíça, Grã-Bretanha e Irlanda, e também tão longe como a Grécia e a Galácia.
Nas sociedades célticas, as monarquias hereditárias eram matrilineares. Chefes do sexo masculino eram eleitos temporariamente. As mulheres serviam como advogadas, juízas, filósofas, médicas e poetas. Rapazes e moças estudavam juntos em academias, os professores eram usualmente mulheres. As mulheres detinham o equilíbrio de poder nos conselhos tribais e não era raro comandarem exércitos no campo de batalha. De fato, o treinamento apropriado de guerreiros do sexo masculino incluía a instrução por guerreiras famosas da época, cujas reputações heróicas tinham sido adquiridas por seu valor e por sua bravura. As mulheres celtas não eram fracas ou baixas. Descrições indicam que, fisicamente, muitas delas eram da mesma estatura e compleição dos homens.
As mulheres celtas podiam herdar propriedades e títulos que lhes correspondiam, uma mulher podia celebrar contratos legais independente do marido, podiam comparecer em juízo e instaurar processos contra homens, uma mulher podia escolher o seu marido ( a maioria dos povos circunvizinhos permitia unicamente que o homem escolhesse uma esposa), as mulheres não se tornavam legalmente parte da família do marido, maridos e mulheres gozavam de status igual no casamento, os casamentos tinham duração de um ano, quando podiam ser renovados se houvesse mútuo consentimento, o divórcio requeria também a concordância de ambas as partes, as filhas herdavam em igualdade de condições com os filhos varões. Uma mulher divorciada retinha suas propriedades , mas o dote, o qual, no sistema legal Brehon, era requerido tanto do marido como da mulher ( consistia usualmente em bois, cavalos, escudos, lanças e espadas). A esposa também podia exigir de um terço à metade da riqueza do marido.
O sexo não era encarado em rígidos termos moralistas, uma mulher não era "culpada" de adultério se tivesse relações sexuais extraconjugais. Mais tarde a igreja cristã combateu essas leis e muitos outros costumes célticos referentes às mulheres, sobretudo o direito ao divórcio, a herdar propriedades, portar armas e a exercer a profissão médica.
No continente foram vencidos pelos Romanos, continuando contudo a manter certos traços fundamentais da sua cultura, mas nas Ilhas Britânicas a invasão romana parou na Muralha de Hadriano, mantendo os Celtas, em especial na Irlanda, toda a sua autonomia e herança cultural. É pois na Irlanda e no País de Gales que ainda hoje podemos ir em busca do pensamento e religião de nossos antepassados Celtas. Muita da informação que até hoje nos chegou vem de escritores romanos como Estrabão e César, que apesar de não serem fontes isentas nos transmitem algumas idéias acerca da sociedade céltica.
Assim, ficamos a saber que os Druidas Gauleses ensinavam aos guerreiros que a morte não era mais que uma passagem, e pôr isso os celtas, apesar de excelentes metalúrgicos (dos primeiros a dominar o ferro) e portanto bem armados se aventuravam nus ou quase, para os campos de batalha, apenas com as suas pinturas azuladas e numa dança furiosa (o que os romanos chamavam de furor galicus). Na Irlanda, cria-se que, depois de morto, se ia para "Tir na nog" ( A Terra da Juventude), onde nada envelhecia e onde era sempre primavera. De fato não se encontra nos Celtas vestígios do pecado ou do mal, a não ser enquanto conduta que prejudicava o interesse de outrem.
Os Deuses dos Celtas são muitos e não sofreram o processo de racionalização que sofreram os panteões Grego, Romano e Nórdico. Assim, não existe a tradicional rigidez de casais de Deuses com seus respectivos filhos. É muitas vezes difícil estabelecer ligação entre Deuses, devido a essa ligação não ser óbvia ou aparente.
Em todo o caso, consegue-se aperceber as ligações existentes entre os Deuses dos Celtas Irlandeses, Gauleses e Continentais, pois apesar dos nomes divergirem, há uma série de princípios mitológicos e arquétipos psicológicos que se repetem consistentemente, sendo pôr isso possível falar numa Civilização Céltica, sem esquecer das diferenças regionais existentes.
Vemos, portanto, que na Irlanda existe um relato acerca da povoação da Ilha que é a mais consistente informação escrita, e também a mais extensa, acerca da vida social dos Celtas mas também da sua visão religiosa do mundo e do Universo. Através do Lebor Gabala (o Livro das Invasões) ficamos a saber que vagas sucessivas - Fir Bolg, Filhos de Mil - acabam por guerrear com os Tuatha De Dannan (O Povo da Deusa Danu) estabelecendo os Milesianos com eles um acordo: a superfície povoam-na eles, enquanto os Tuatah De Dannan vão para o subsolo e serão adorados como Deuses. Assim acontece, e são erigidos menires e outros monumentos ao Tautha De Dannan, onde figuram Danu, A Deusa-Mãe, Nuada-O-Braço de-Prata, Dagda o-Deus-Bom, Lugh O-do-Braço-Longo e muitos outros, A concepção dos Gaélicos (Celtas Irlandeses) do Mundo é quadripartida, com as quatro direções unidas por um centro mágico.
No País-de-Gales as lendas de Ceridwen e Taliesin são as mais conhecidas, pois o Caldeirão de Ceridwen da Inspiração e Ressurreição são idéias fundamentais das lendas galesas, mas as Crônicas do Rei Artur, apesar de terem sido cristianizadas, têm um fundo bem assente nas lendas e raízes dos Celtas.
O Neo-Druidismo, que reapareceu durante o movimento Romântico do Século XVIII, foi durante muito tempo patriarcal e com fortes ligações à Maçonaria, ao contrário da Wicca, que conserva muito das idéias, Deuses e simbologia dos Antigos Celtas, foi uma via aceita pelo sistema, pois não era pagã - na verdade, a maior parte dos membros eram cristãos.
Durante o ressurgimento neo-pagão dos anos 50, onde a Wicca foi a vanguarda, muitos grupos neo-druídicos começaram a afirmar-se como pagãos e seguidores dos Antigos Caminhos.
Existem várias Ordens Druídicas, sendo a Ordem do Bardos, Ovates e Druídas (OBOD), sediada na Inglaterra, uma das mais conhecidas internacionalmente.
Em resumo pudemos verificar que os celtas eram, na verdade, um conglomerado de indivíduos de origens diversas, reunidos numa civilização única, sobre um território que se estendia da atual Boêmia à Irlanda. Toda a sociedade celta era estruturada a partir de sua religião, não no sentido restrito que o termo possui para nós atualmente, mas no sentido de cosmovisão. Era uma sociedade desenvolvida e com uma literatura própria, que embora não fosse escrita, era cantada e declamada, fazendo parte dos ensinamentos dos poetas e poetisas que compunham a classe religiosa.

A sociedade celta sempre reservou à mulher um lugar de honra, e nos melhores momentos irlandeses - épicos ou mitológicos - lá onde o paganismo se manteve mais forte, ela aparece como poetisa encarregada das profecias e mágicas. Era livre, dona de seu destino. Mas, com a romanização e a cristianização, foi transformada em bruxa, sendo-lhe imputados todos os aspectos inferiores da magia.
Pertencia, porém, em um certo tempo, à uma sociedade de transição entre o matriarcado - onde a mulher era vista por sua função criadora, como um ser mágico, uma divindade - e o patriarcado - onde o homem, ciente de sua participação ativa no ato da fecundação, passa de inferior ou igual à superior à mulher.
A romanização que atingiu a Gália e parte da Grã-Bretanha e a cristianização que dominou os territórios celtas, além de promoverem o desaparecimento do druidismo, também fizeram com que a função que a mulher exercia na classe religiosa se perdesse para a história. Os textos que falam sobre os celtas, vale ressaltar, só foram compilados após a cristianização, época em que a mulher já havia perdido quase todo o seu prestígio.
Se foi o pagão celta que o cristianismo pretendeu salvar, podemos perceber o quanto a mulher perdeu com isso, e como a condição feminina se deteriorou em todos os planos. Como se não bastasse a anulação total da mulher no plano jurídico, pelo direito romano, o cristianismo, no plano social, impediu as mulheres de exercerem funções elevadas e, no plano cultural, transformou a antiga fada, a mãe divina e sábia, a sedutora, em figura perigosa.

INVASÕES ROMANAS Quando os Celtas invadiram a Europa, quase mil anos antes de Cristo, trouxeram suas próprias crenças, que ao se misturarem às crenças da população local, originaram o sistema que deu nascimento à Wicca.
Com a rápida expansão do povo celta, a religião druídica foi levada para regiões onde se encontram Portugal, Espanha e Turquia. Embora a Wicca tenha se firmado entre os Celta, é importante lembrarmos que a Bruxaria é anterior a eles. Mas este povo foi o mantenedor da tradição, assim é importante que conheçamos pelo menos, o rudimento de seu pensamento e cultura. Na antiguidade, a Irlanda foi ocupada pelos Celtas, vindos do continente, os quais sobrepujaram os habitantes pré-históricos, estabelecendo ordem na ilha, e impondo a religião e a língua. O culto da Grande - Mãe e do Deus Cornífero predominaram nas regiões da Europa dominadas pelos Celtas (que adotaram vários aspectos da Antiga Religião, incorporando-os aos mistérios druidas); até a chegada dos romanos, que praticamente dizimaram as tribos Celtas.
Porém podemos ressaltar aqui que a Irlanda não conheceu a conquista romana: somente no século V d.C. São Patrício, vindo de Gales, levou à ilha, com a religião cristã, também a civilização européia: igrejas e mosteiros surgiram, desde então, em toda parte do país, e floresceram por muitos séculos. No século VIII, a Irlanda foi ocupada pelos Dinamarqueses e depois, no século XII, Henrique II da Inglaterra invadiu a Ilha e dividiu as terras entre os seus barões.
QUEM ERAM OS DRUIDAS?
Os druidas, até onde o sabemos, eram sacerdotes celtas que possuíam poderes paranormais, eram adeptos das artes mágicas e que lançavam mão de seus feitiços e encantamentos para apaziguar os deuses, controlar os elementais da natureza e promover a fertilidade. Eles conheciam bem a astrologia, a medicina e a psicologia. Acreditavam na indestrutibilidade da matéria, na imortalidade da alma e na metempsicose (reencarnação).
Nenhum aspecto da vida social, política, intelectual e religiosa dos antigos celtas excluía a presença e os ensinamentos druidas. Os druidas eram o centro da sociedade celta. Detinham todos os poderes e segredos desta. Eram o elo em torno do qual se articulavam os fatos e os gestos destes povos pouco conhecidos até hoje e que foram denominados celtas.
Nenhum povo europeu possuiu tão arraigado sentimento de imortalidade, justiça e liberdade, como os gauleses. Por longo tempo foram considerados bárbaros, injustamente. Como eram conhecidos apenas por intermédio de escritores romanos e cristãos, era interessante desacreditarem tal povo, desfigurando-lhes a crença. César foi um deles. Em "Comentários" cometeu erros propositados, e deliberadamente narrou inexatidões ao descrevê-los, com clara intenção de exaltar-se ante a posteridade. Os cristãos os viam como sanguinários e violentos, e encontravam em seus cultos unicamente práticas grosseiras.
Realmente, não podemos negar que a princípio, usavam sacrifício humano. Este, todavia, na maior parte decorria de execuções judiciárias. Os druidas, juizes e executores ofereciam aos sentenciados em holocausto aos deuses. Cinco anos separavam a sentença da execução da mesma. Em períodos de calamidade, vítimas voluntárias se ofereciam à expiação.
No tempo dos Césares, esta prática que tanto denegriu sua imagem, já havia sido extinta, enquanto nos dias de hoje, muitos países civilizados adotam ainda a pena de morte.
Apesar do preconceito dos cristãos, Lucano, em Farsálias, revela terem sido os gauleses depositários dos mistérios da vida e da morte. É desconhecido o fundador da religião druídica e o autor dos Livros Sagrados, as Tríades.
Os principais sacerdotes e sacerdotisas dos celtas eram os druidas. A palavra druida é derivada do grego dryad, um "espírito da natureza" ou ainda "ninfa do carvalho". O saber druídico era ensinado oralmente e, por conseguinte, não existem relatos escritos de seus ensinamentos, mas investigações.
Embora a religião gálica seja conhecida por druidismo, e nos dicionários conste o termo druida como seu sacerdote, a instituição dos druidas não se constituía em corpo sacerdotal. Esse título equivalia ao de sábio.
Alguns, sob a denominação de Eubage, presidiam as cerimônias religiosas. A maioria entretanto, dedicavam-se à educação dos jovens, a práticas políticas e judiciais, ao estudo das ciências e das letras. Segundo a doutrina contida nas Tríades:
"Há três Unidades Primitivas: Deus, a Luz e a Liberdade.
Três Unidades de Deus: Ser Infinito em Si Mesmo; Ser Finito para com o Finito; e estar em relação com cada estado das existências no círculo dos mundos". Eis a Trindade Divina. Explicava ainda, que a alma gera-se no seio do abismo - anoufn - onde reveste as formas rudimentares de vida e só adquire consciência e alcança a liberdade depois de permanecer por muito tempo imersa em instintos primários.
Pelo ensinamento das Tríades, cantado por Taliesino, parece não haver nessa religião a crença na origem divina da alma. Tampouco encontra-se qualquer referência ao descanso vibratório, vez que reportam-se ao nascimento do espírito já no plano material. Os druidas acreditam em reencarnação baseados em fontes clássicas, "....A alma dos homens é imortal, e depois de um definitivo número de anos ele vive uma segunda vida quando a alma passa para outro corpo". A principal doutrina que eles buscam ensinar é que a alma não morre, mas depois passa para outro corpo.
A ascensão evolutiva de reino a reino e posterior aprimoramento do ser humano até a angelitude, no entanto, mostram-se iguais as demais religiões.
Os druidas pregavam que em sua longa peregrinação, a alma percorre três círculos, que correspondem a três estados sucessivos. No afinou, onde se origina, período mais primitivo, imersa na matéria, sofre o jugo da animalidade. Em seguida penetra no abred, círculo das migrações que povoam os mundos das experiências e dos sofrimentos, quando mais depurada, completa seu aprendizado em diversos orbes. A Terra é um deles e a alma nela reencarna muitas vezes. A custa de incessante luta liberta-se das influências materiais, livrando-se da roda das encarnações. Continua sua jornada em Gwynfyd, círculo dos mundos venturosos ou da felicidade, completamente despojada de anseios e sentimentos terrenos. Além dessas duas regiões, encontra-se o Ceugat, círculo do Infinito, morada da Essência Divina, que engloba todos os outros.
A doutrina druídica confere grande importância à recordação de vidas anteriores. Condiciona a conquista da plenitude ao pleno desabrochar do Amor e do Saber, como nas demais religiões. Ensina ainda, não ser o homem joguete da fatalidade, nem gozar de favoritismo, explicando que cada um prepara e edifica o próprio destino.
Eis a Lei do Carma com todas as suas conseqüências e implicações. Pelos ensinamentos das Tríades constata-se que apesar do objetivo do ser humano ser a Perfeição para unir-se a Deus, não representa, como em outras religiões, o retorno à origem, mas tão só uma jornada que conduz ao Ser Supremo. É apenas o final de uma partida e não a viagem de regresso. Conforme Lucano em Farsálias: " As almas não se sepultam nos sombrios reinos do Erebo (inferno), mas voam a animar outros corpos em novos mundos. A morte não é senão o termo de uma vida; daí seu heroísmo no meio de sangrentos combates, e o seu desprezo pela morte."
Os gauleses consideravam os despojos dos guerreiros simples invólucros gastos, e como tal, indignos de atenção. Por isso os abandonavam insepultos nos campos de batalha, para grande surpresa de seus inimigos. Tal atitude, considerada bárbara pelos romanos, que desconheciam suas crenças e a maneira como encaravam a morte: como simples emigração. Possuíam tanta convicção de voltarem a viver nos mundos que turbilhonam pelo infinito que emprestavam dinheiro para ser pago em encarnação futura.
Essa doutrina viril conferia-lhes coragem, tanto que os fazia caminhar para o campo de batalhas com completo desprezo pelo fim que os aguardava, com total desapego da vida física. Lutavam de peito nu e achavam covardia proteger-se com couraças ou usar de artimanhas guerreiras. Por entenderem sabiamente a morte, não a temiam. A comemoração dos mortos é de iniciativa gaulesa. No dia correspondente hoje ao 1º de novembro, celebravam a festa dos espíritos, não nos cemitérios, pois não davam qualquer valor ao corpo físico, mas em cada lar, onde os bardos e os videntes evocavam as almas de seus mortos queridos. Fora o "Livro Sagrado", nenhum outro ensinamento foi escrito, para não ser desvirtuado ou materializado por imagens. Transmitiam-no oralmente aos iniciados para que o guardassem de memória, e aos bardos para que os preservassem em seus cânticos. Utilizavam-se de todos os recursos extra-sensoriais como forma de auxílio na vida cotidiana. As druidesas proferiam oráculos, os magos utilizavam-se da magia e os médiuns e videntes correspondiam-se com os espíritos, através de suas faculdades paranormais.
Eis aqui alguns princípios básicos da filosofia druídica:
Em primeira linha, a unidade de Deus. O Deus dos Celtas tinha pôr templo o infinito dos espaços, ou as guaridas misteriosas dos grandes bosques e era, acima de tudo, força, vida, amor. Os mundos que marchetam as regiões etéreas são as estações das almas, na ascensão para o bem, através de vidas sempre renascentes, vidas cada vez mais belas e felizes, segundo os méritos adquiridos. Íntima comunhão une os vivos da Terra aos defuntos invisíveis, mas presentes. Este preceito enriquece o espírito de superiores noções sobre o progresso e a liberdade. Graças a ele, o Celta introduziu no mundo o gosto pelo ideal, coisa que jamais conheceu o Romano, amante das realidades positivas.
O Celta é inclinado às noções nobres e generosas. Da guerra, aprecia a glória, não o proveito. Pratica a abnegação, despreza o medo e desafia a morte.
Possuíam deidades próprias, não de modo politeísta, mas como entidades de diversos graus evolutivos, prepostos de um Deus único, que os ajudavam quando a elas recorriam. Teutatés, Esus e Gwyon representavam a força, a luz e o espírito, no panteão gaélico, mas acima deles pairava a Unidade do Deus Supremo.
Realizavam os rituais em céu aberto: clareiras, florestas, ou junto a penedias. Amavam e cultuavam a natureza, da qual se utilizavam para simbolizar os Princípios Divinos, razão de terem sido julgados animistas por muito tempo. Erguiam seus altares com pedras brutas, considerando que a pedra lapidada seria profanada por ter contato com o homem.
Nenhum objeto feito pela mão humana adornava seus santuários. O carvalho representava Deus, Eterna Fonte de Vida; o visco que nele crescia, (sem no entanto com ele se confundir), figurava o espírito imortal do homem.
Acreditavam ser as charnecas e bosques povoados de seres imateriais e almas errantes, à procura de novas encarnações. Chamavam-os de Duz e Korrigans.
Infelizmente com a conquista romana da Gália e da Bretanha - onde também vicejava essa religião - e posterior difusão do cristianismo, os mistérios druídicos foram degenerando, quase nada restando deles, na Europa, ao irromper da Idade Média. O druidismo como pudemos ver engendrou uma sociedade subversiva através de sua força e poderes espirituais. Foi e ainda é considerada, como uma das mais ricas manifestações espirituais do Ocidente. Deixou seus legados nas artes, ciência, filosofia e religião. Mas infelizmente formavam uma organização religiosa e social que não pôde sobreviver à conquista estrangeira e à cristianização.
Os celtas, e conseqüentemente o druidismo, não tinham necessidade de uma unidade política, porque possuíam uma unidade religiosa e lingüística, bem como uma consciência de origem comum. Porém, apenas isto não bastou para vencer os conquistadores. Também como percebemos o druidismo, desapareceu apenas como instituição, mas sobreviveram seus ensinamentos, a sua mentalidade, o seu pensamento e as suas crenças. Ainda vive em nós o gosto druídico pela aventura, pelo desconhecido que, incluindo o risco sob todas as formas, impulsiona o homem a ir sempre diante.
O druidismo sobreviveu refugiado nas florestas e continuou sendo praticado e, pela tradição oral foi, transmitido de geração em geração.
Pode ser a mais pura fantasia que povoa as nossas mentes... porém, só isto já nos mostra que esta é uma chama que ainda não se apagou. A feitiçaria européia parece ter herdado muitas tradições da época dos druidas. A principal delas é, provavelmente, a crença no poder dos círculos mágicos, como receptáculos capazes de captar energias sobrenaturais, a exemplo daquelas usadas nas operações de percepção intra-sensorial.
Tanto os druidas como os feiticeiros europeus acreditavam na reencarnação, reconheciam a importância dos círculos de pedra como centros de força espiritual e celebravam, durante o ano, quatro grandes Sabás, conhecidos como a "Grande Roda do Ano" ou a "Mandala da Natureza".
Investigações contemporâneas sugerem a existência de uma linha virtualmente ininterrupta de práticas mágicas desde os primitivos mistérios driádicos e manifestando-se finalmente nos esconjuros e sortilégios daquelas que mais tarde viriam a ser chamadas "feiticeiras" ou "Bruxas".
As sacerdotisas druidas da Grã- Bretanha estavam divididas em três classes. A classe mais alta vivia em regime de celibato em conventos. Essas irmandades alimentavam as fogueiras sagradas da Deusa e foram assimiladas na era-cristã como monjas. As outras duas classes podiam casar e viver nos templos ou com os maridos e famílias. Eram servas acolhidas nos ritos sagrados da Deusa. Com o advento do cristianismo, foram chamadas "Bruxas".